Ricardo Villa
30 de abril a 3 de junho de 2026
Galeria Luciana Caravello
R. Estados Unidos, 2169 – Jardins, SP
“Isso não é tudo”— que intitula essa exibição — não é mera negação. Esse conectivo empregado com certa frequência por Claude Lévi Strauss em Mitológicas não desfaz o que foi dito anteriormente; afirma e in-dica que há mais, aponta para uma nova abertura. Se engendra no interior de um percurso que parecia concluído para mostrar que ele nunca esteve completamente fechado. É uma frase que funciona depois que algo se estabilizou — e que funciona justamente para reabrir aquilo que parecia concluído.
Assim, os trabalhos reunidos nesta exposição partem de categorias que operam como se fossem naturais: a economia como instância dotada de vontade própria, o dinheiro como medida objetiva do mundo e da vida. Em cada caso, trata-se de uma construção que requer falsear sua própria contingência, isto é, suas condições de aparecimento. O que o conjunto produz não é apenas a denúncia dessas categorias que se pretendem objetivas, mas uma postura que as localize como construções históricas determinadas. O tecido que contorna espectros. O documento histórico vazado que insinua haver algo por trás. A moeda tirada de circulação até aparecer como coisa. Em cada uma dessas operações, o que se produz é a suspensão do funcionamen-to desses artefatos: seja em sua circulação, em sua evidência documental ou em sua presença figurativa. Nesse sentido, os trabalhos se configuram como procedimento de interrupção do fluxo desses artefatos em sua suposta natu-ralização, fazendo com que essa naturalização se torne visível. Tomados em conjunto, os trabalhos não somam críticas, mas antes, se constituem como um modo de atenção. Uma disposição diante de qualquer sistema que se apresenta como totalidade, em uma intuição insistente de que isso não é tudo. Há mais.